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Preencher cadastros faz parte da vida da internet. Nosso dever é
considerar sempre o usuário e desenvolver fluxos de cadastro
transparentes, que transmitam confiança e não o deixem abandonar o
processo.
Processos de cadastramento são cada vez mais necessários e
comuns no dia-a-dia de qualquer usuário de serviços através da
internet. Não é por menos que surgiu e se popularizou a idéia de que
ninguém preenche formulários extensos. Gostar ninguém gosta mesmo,
convenhamos. Ainda que fosse com papel e caneta seria tão entediante
quanto online.
Entretanto, os fatores comportamentais podem ser influenciados
através de atitudes simples e uma política de desenvolvimento centrada
no usuário, deixando o processo de cadastro a ser executado
transparente e muito claro antes de ser iniciado. Para isso, algumas
metodologias de trabalho colaboram muito para aumentar a credibilidade
de um site.
O primeiro ponto a ser considerado é mostrar de onde começar. Um
ponto de partida é um recurso simbólico que dá segurança ao usuário.
Sendo experiente ou iniciante, a simples sensação de que se algo der
errado é possível voltar e recomeçar gera uma motivação para iniciar um
cadastro, seja ele uma compra com cartão de crédito ou uma assinatura
gratuita de uma newsletter. Lembre-se: pensar como usuário iniciante é
o primeiro passo para saber o que este tipo de público deseja.
Também é importante considerar quais os passos deverão ser seguidos
ou quantas etapas devem ser completadas. Prover marcadores a cada etapa
- como por exemplo números que mudam de cor indicando quantos passos
foram superados - é uma forma simples de comunicar o caminho das pedras.
É relevante ressaltar que é melhor ter 3 etapas com 15 itens (ou
tarefas) a serem cumpridos em cada etapa do que 6 etapas com 7 itens
cada. Em ambos os casos existiriam 45 informações a serem fornecidas,
mas a sensação ao vencer cada etapa é muito mais estimulante quando se
sabe que existem apenas mais duas iguais a atual do que saber que ainda
faltam 3 e ainda se está preenchendo a etapa 4. Não há dúvidas de que o
condensamento e a setorização de informações ajudam a deixar o processo
mais transparente.
Linguagem não-técnica
As etapas da navegação, nomes dos links e conteúdo em si devem ser
todos fáceis de ler e entender. Evitar o uso de jargão ou termos
específicos que só são conhecidos por iniciados é a melhor maneira de
garantir que o entendimento será amplo. Para o título de um botão,
prefira "Enviar" ao invés de "Processar Cadastro", por exemplo.
Visão interna e visão externa
Organize o processo pela ótica do usuário, do consumidor daquele
produto ou serviço. É sempre melhor usar palavras e processos como eles
são vistos pelas pessoas. Por exemplo: a indústria automobilística
prefere vender carros "compactos" do que "hacthbacks". Além de usar um
termo em português, facilita o entendimento do conceito do carro
fugindo da denominação usada por designers, engenheiros e jornalistas
da área.
Fique atento ao sinalizar links e botões ativos, demarcando mais uma
vez o que o usuário já fez, qual a próxima etapa e como chegará ao
final. Se no meio do processo for necessário, por exemplo, validar um
e-mail através de uma confirmação via senha, é extremamente útil avisar
o usuário antes do início, de forma que ele possa checar se terá acesso
a esta conta de e-mail imediatamente e prosseguir com o cadastro após
confirmar que aquele e-mail existe e é válido.
Sem o aviso, a probabilidade de que muitos cadastros fossem
abandonados pela metade seria bem maior. Mais uma vez, a comunicação do
processo se mostra indispensável.
Por último, mas não menos importante, é a atitude básica e simples
de testar incessantemente. A grande vantagem da web é permitir a
realização de testes rápidos, baratos e com pessoas diferentes em tempo
real. As respostas rápidas dadas por usuários de diferentes perfis
podem trazer percepções (insights) muito valiosos.
Para pequenos testes, pode-se convidar qualquer usuário e não se faz
necessário um laboratório de usabilidade ou uma sala isolada, até mesmo
por telefone pode-se testar um processo de cadastro.
Quanto mais os sites se tornam especializados e reúnem comunidades
em torno de suas temáticas, mais os cadastros se tornam relevantes para
conhecer, estudar e prover soluções para estes públicos. No entanto, a
falta de observação de medidas simples tem levado muitos clientes a
duvidarem de que os usuários de dispõe a fornecer suas informações, sem
nem desconfiar de que o desenvolvimento às pressas pode ser um dos
vilões da estória.
Consideremos mais o usuário, afinal.
fonte: iMasters - por Rafael Wally (e-mail) é Designer e
Jornalista, foi Diretor Regional (Campinas-SP) da PROMIT em 2001 e é
editor do Grito.com.br em Segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
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