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Cuidados ao projetar processos de cadastramento PDF Imprimir E-mail
Por Alexandre Nasiasene   
28 de fevereiro de 2008

Preencher cadastros faz parte da vida da internet. Nosso dever é considerar sempre o usuário e desenvolver fluxos de cadastro transparentes, que transmitam confiança e não o deixem abandonar o processo.

Processos de cadastramento são cada vez mais necessários e comuns no dia-a-dia de qualquer usuário de serviços através da internet. Não é por menos que surgiu e se popularizou a idéia de que ninguém preenche formulários extensos. Gostar ninguém gosta mesmo, convenhamos. Ainda que fosse com papel e caneta seria tão entediante quanto online.

Entretanto, os fatores comportamentais podem ser influenciados através de atitudes simples e uma política de desenvolvimento centrada no usuário, deixando o processo de cadastro a ser executado transparente e muito claro antes de ser iniciado. Para isso, algumas metodologias de trabalho colaboram muito para aumentar a credibilidade de um site.

O primeiro ponto a ser considerado é mostrar de onde começar. Um ponto de partida é um recurso simbólico que dá segurança ao usuário. Sendo experiente ou iniciante, a simples sensação de que se algo der errado é possível voltar e recomeçar gera uma motivação para iniciar um cadastro, seja ele uma compra com cartão de crédito ou uma assinatura gratuita de uma newsletter. Lembre-se: pensar como usuário iniciante é o primeiro passo para saber o que este tipo de público deseja.

Também é importante considerar quais os passos deverão ser seguidos ou quantas etapas devem ser completadas. Prover marcadores a cada etapa - como por exemplo números que mudam de cor indicando quantos passos foram superados - é uma forma simples de comunicar o caminho das pedras.

É relevante ressaltar que é melhor ter 3 etapas com 15 itens (ou tarefas) a serem cumpridos em cada etapa do que 6 etapas com 7 itens cada. Em ambos os casos existiriam 45 informações a serem fornecidas, mas a sensação ao vencer cada etapa é muito mais estimulante quando se sabe que existem apenas mais duas iguais a atual do que saber que ainda faltam 3 e ainda se está preenchendo a etapa 4. Não há dúvidas de que o condensamento e a setorização de informações ajudam a deixar o processo mais transparente.

Linguagem não-técnica
As etapas da navegação, nomes dos links e conteúdo em si devem ser todos fáceis de ler e entender. Evitar o uso de jargão ou termos específicos que só são conhecidos por iniciados é a melhor maneira de garantir que o entendimento será amplo. Para o título de um botão, prefira "Enviar" ao invés de "Processar Cadastro", por exemplo.

Visão interna e visão externa
Organize o processo pela ótica do usuário, do consumidor daquele produto ou serviço. É sempre melhor usar palavras e processos como eles são vistos pelas pessoas. Por exemplo: a indústria automobilística prefere vender carros "compactos" do que "hacthbacks". Além de usar um termo em português, facilita o entendimento do conceito do carro fugindo da denominação usada por designers, engenheiros e jornalistas da área.

Fique atento ao sinalizar links e botões ativos, demarcando mais uma vez o que o usuário já fez, qual a próxima etapa e como chegará ao final. Se no meio do processo for necessário, por exemplo, validar um e-mail através de uma confirmação via senha, é extremamente útil avisar o usuário antes do início, de forma que ele possa checar se terá acesso a esta conta de e-mail imediatamente e prosseguir com o cadastro após confirmar que aquele e-mail existe e é válido.

Sem o aviso, a probabilidade de que muitos cadastros fossem abandonados pela metade seria bem maior. Mais uma vez, a comunicação do processo se mostra indispensável.

Por último, mas não menos importante, é a atitude básica e simples de testar incessantemente. A grande vantagem da web é permitir a realização de testes rápidos, baratos e com pessoas diferentes em tempo real. As respostas rápidas dadas por usuários de diferentes perfis podem trazer percepções (insights) muito valiosos.

Para pequenos testes, pode-se convidar qualquer usuário e não se faz necessário um laboratório de usabilidade ou uma sala isolada, até mesmo por telefone pode-se testar um processo de cadastro.

Quanto mais os sites se tornam especializados e reúnem comunidades em torno de suas temáticas, mais os cadastros se tornam relevantes para conhecer, estudar e prover soluções para estes públicos. No entanto, a falta de observação de medidas simples tem levado muitos clientes a duvidarem de que os usuários de dispõe a fornecer suas informações, sem nem desconfiar de que o desenvolvimento às pressas pode ser um dos vilões da estória.

Consideremos mais o usuário, afinal.

fonte: iMasters - por Rafael Wally (e-mail) é Designer e Jornalista, foi Diretor Regional (Campinas-SP) da PROMIT em 2001 e é editor do Grito.com.br em Segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

 

 
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