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Brasil, uma ilha de prosperidade? PDF Imprimir E-mail
Por Luiz Alves   
21 de outubro de 2008
Em momentos de tensão como este, que está abalando economias aparentemente inabaláveis como da Alemanha e da Suíça, são necessários inteligência e ousadia para tomar decisões e a meu ver o Brasil está desperdiçando uma oportunidade de ouro por absoluta falta destes dois quesitos. É necessário ao governo eliminar a retórica de que a economia brasileira não será afetada, porque já está sendo afetada. De nada adianta o governo brasileiro insistir em dizer que os bancos oficiais sustentarão o crédito, o que se precisa são de ações concretas para que o mercado possa sentir que projetos como de infra-estrutura continuarão em ritmo acelerado, mas o que se vê é justamente o contrário. Projetos como a linha de transmissão do rio Madeira, que supriria boa parte da demanda da indústria por energia elétrica a partir de 2012, ou as obras de ampliação do caótico sistema portuário brasileiro estão seriamente comprometidos, por falta de crédito. O Brasil, por absoluta incompetência e excesso de burocracia, perdeu a onda de capital abundante para concretizar os projetos de infra-estrutura, base do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), agora os investimentos serão muito mais difíceis de serem concretizados, devido a secura do crédito em todos os mercados.

Ainda não está claro para o governo brasileiro que esta crise veio para ficar, o primeiro impacto foi no sistema financeiro, mas há que se entender que o segundo e talvez maior impacto será sobre o nível de atividade econômica global, e o Brasil não está imune e certamente sofrerá sérias conseqüências. Basta avaliar um recente estudo divulgado pela Federação de Indústrias de Hong Kong que prevê a demissão de 2,5 milhões de trabalhadores e o fechamento de 15 mil fábricas até o inicio do próximo ano. O primeiro sinal foi dado na semana passada quando a Smart Union, que era fornecedora da Mattel e da Disney, deixou 6.500 empregados na rua.

Sabe quem são estes 2,5 milhões de trabalhadores? São os mesmos que compram as commodities exportadas pelo Brasil, por exemplo, a China é o maior comprador de minério de ferro e soja exportados pelo Brasil… dá para dizer que o país não será afetado?

Embora a maioria dos países da America Latina tenha superávit comercial, um bom volume de reservas monetárias e um razoável nível de déficit fiscal, a combinação da desaceleração global com a queda dos preços das matérias-primas ameaça reverter a recente tendência de crescimento da região. Tanto é que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional mudaram suas perspectivas de crescimento para a região para 2009.

Portanto, o governo brasileiro deveria centrar mais esforço em ações que possibilitem mitigar os inevitáveis impactos de um inevitável período de recessão global. Em momentos de crise é que se cresce, e se tivermos competência e inteligência para administrar este período, certamente o Brasil poderá sair desta turbulência com saldo muito positivo e se posicionar como uma solida e próspera economia de mercado. A primeira coisa a ser feita é deixar a retórica de lado e reconhecer que existe um problema econômico global de grandes proporções, e lançar mão de todos os recursos possíveis para administrar este período com o menor nível de impactos na economia produtiva.
 
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